Muito além da remissão: vortioxetina e a recuperação funcional do paciente com depressão
Med Int Méx 2026; 42 (Supl 2): e11388. https://doi.org/10.24245/mim.v42iSupl_2.11388
Marcia Rozenthal
• Doutora em Psiquiatria pelo Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPUB-UFRJ).
• Pós-doutorado em Engenharia de Sistemas e Computação pela Coordenação dos Programas de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da UFRJ.
• Professora Associada da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).
• Idealizadora e coordenadora da disciplina Envelhecimento e Saúde, obrigatória no curso de graduação em Saúde.
• Experiência como consultora da Universidade Politécnica de Madrid (UPM) em projeto da União Europeia, na área de Inteligência Ambiental.
• Idealizou e coordenou, junto ao Ministério da Educação (MEC – Secretaria de Educação Superior) e à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), projeto na área de Educação Superior e Envelhecimento Populacional no Brasil.
• CEO da Clínica Márcia Rozenthal – Neuropsiquiatria, Avaliação Neuropsicológica e Reabilitação Cognitiva.
Resumo
O transtorno depressivo maior (TDM) é frequentemente acompanhado por déficits cognitivos em domínios como atenção, memória e tomada de decisões, que persistem mesmo após a remissão dos sintomas afetivos, impactando significativamente o funcionamento diário.1,2 Este artigo revisa o impacto dos antidepressivos na função cognitiva em pacientes com TDM, explorando tanto os potenciais efeitos benéficos quanto os neutros ou adversos.3 Serão discutidos os mecanismos neurobiológicos subjacentes envolvidos, com foco na modulação de neurotransmissores (serotonina, noradrenalina, dopamina, acetilcolina), e o engajamento de regiões cerebrais-chave. Uma comparação entre as principais classes de antidepressivos será apresentada, destacando seus respectivos perfis cognitivos, com especial atenção à vortioxetina, que tem demonstrado um aspecto pró-cognitivo em estudos e revisões4-8, incluindo metanálises focadas em seu impacto.9,10 A relação intrínseca entre depressão, disfunção cognitiva e tratamento farmacológico será examinada a partir de evidências de estudos clínicos, incluindo grandes ensaios de resultados de tratamento.11 Finalmente, as implicações clínicas desses achados para o manejo otimizado de pacientes depressivos serão abordadas, enfatizando a importância da avaliação cognitiva no plano de tratamento para uma recuperação funcional abrangente, especialmente no contexto dos desafios impostos pela depressão de difícil tratamento12 e em populações com comorbidades cognitivas.13
Palavras-chave: antidepressivos; cognição; depressão; função executiva; memória; atenção.
Abstract
Major depressive disorder (MDD) is frequently accompanied by cognitive deficits in domains such as attention, memory, and decision-making, which often persist even after remission of affective symptoms, significantly impairing daily functioning.1,2 This article reviews the impact of antidepressants on cognitive function in patients with MDD, exploring both their potential beneficial effects and their neutral or adverse effects.3 The underlying neurobiological mechanisms are discussed, with a particular focus on the modulation of neurotransmitters (serotonin, norepinephrine, dopamine, and acetylcholine) and the involvement of key brain regions. A comparison of the major classes of antidepressants is presented, highlighting their respective cognitive profiles, with special emphasis on vortioxetine, which has demonstrated procognitive effects in clinical studies and review articles,4-8 including meta-analyses evaluating its impact.9,10 The intrinsic relationship between depression, cognitive dysfunction, and pharmacological treatment is examined based on evidence from clinical studies, including large treatment outcome trials.11 Finally, the clinical implications of these findings for optimizing the management of patients with depression are discussed, emphasizing the importance of cognitive assessment within the treatment plan to achieve comprehensive functional recovery, particularly in the context of difficult-to-treat depression12 and in populations with cognitive comorbidities.13
Keywords: antidepressants; cognition; depression; executive function; memory; attention.
Recebido: 06 de novembro de 2025
Aceito: 10 de agosto de 2026
Correspondência
Este artigo deve ser citado como: Rozenthal M. Muito além da remissão: vortioxetina e a recuperação funcional do paciente com depressão. Med Int Méx. 2026; 42 (Supl 2): e11388.

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