Transtorno de compulsão alimentar: diagnóstico e terapêutica
Med Int Méx 2026; 42 (Supl 2): e11386. https://doi.org/10.24245/mim.v42iSupl_2.11386
Rômulo Augusto dos Santos
• Médico Endocrinologista – Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).
• Docente da Disciplina de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP) e Fundação Faculdade Regional de Medicina de São José do Rio Preto (Funfarme).
• Docente Responsável – Ambulatórios de Endocrinologia do Idoso e Medicina do Estilo de Vida na FAMERP/Funfarme.
• Diretoria da Sociedade Brasileira de Diabetes – SP – Biênio 2024/2025.
Resumo
O transtorno de compulsão alimentar (TCA) é o distúrbio alimentar mais prevalente, associado a sofrimento significativo, alta comorbidade psiquiátrica e piora de parâmetros metabólicos, mesmo em indivíduos eutróficos. A prevalência estimada é de 3,5% em mulheres, 2% em homens e até 3% em adolescentes, podendo alcançar 4,7% no Brasil; mais de 90% dos casos não recebem tratamento. O diagnóstico pelo DSM-5 requer episódios recorrentes de ingestão excessiva com perda de controle, ao menos semanal por 3 meses, sem comportamentos compensatórios regulares, acompanhados de sinais como comer rápido, até desconforto, sem fome, sozinho e com culpa, além de sofrimento clínico. A gravidade é estratificada pela frequência semanal. A terapia de base é psicoterapia, especialmente cognitivo-comportamental. Lisdexanfetamina, pró-fármaco convertido em dextroanfetamina, é a única medicação aprovada por FDA/Anvisa para TCA moderado a grave, com início de ação em ~2 horas, duração até 14 horas, eficácia comprovada a curto e longo prazo e perfil de segurança adequado quando respeitadas contraindicações; a titulação usual é de 30 mg/dia, com incrementos de 20 mg até 50–70 mg/dia. O objetivo primário é reduzir os episódios compulsivos, não o peso. Um caso clínico ilustra remissão sintomática e melhora metabólica com tratamento combinado.
Palavras-chave: transtorno de compulsão alimentar (TCA); distúrbio alimentar; alimentação compulsiva; lisdexanfetamina (LDX); transtorno psiquiátrico; psicoterapia.
Abstract
Binge-eating disorder (BED) is the most prevalent eating disorder, associated with significant distress, high psychiatric comorbidity, and worsening of metabolic parameters, even in individuals with normal weight. Estimated prevalence is 3.5% in women, 2% in men, and up to 3% in adolescents, reaching 4.7% in Brazil; more than 90% of cases receive no treatment. Diagnosis according to the DSM-5 requires recurrent episodes of excessive intake with loss of control, occurring at least weekly for 3 months, without regular compensatory behaviors, accompanied by signs such as eating rapidly, until discomfort, when not hungry, alone, and with guilt, in addition to clinical distress. Severity is stratified by weekly frequency. The cornerstone of treatment is psychotherapy, especially cognitive-behavioral therapy. Lisdexamfetamine, a prodrug converted into dextroamphetamine, is the only medication approved by the FDA/Anvisa for moderate to severe BED, with onset of action in ~2 hours, duration up to 14 hours, proven short- and long-term efficacy, and an appropriate safety profile when contraindications are respected; usual titration starts at 30 mg/day, with 20 mg increments up to 50–70 mg/day. The primary goal is to reduce binge-eating episodes, not weight. A clinical case illustrates symptomatic remission and metabolic improvement with combined treatment.
Keywords: binge-eating disorder (BED); eating disorder; compulsive eating; lisdexamfetamine (LDX); psychiatric disorder; psychotherapy.
Recebido: 22 de agosto de 2025
Aceito: 10 de agosto de 2026
Correspondência
Este artigo deve ser citado como: dos Santos RA. Transtorno de compulsão alimentar: diagnóstico e terapêutica.Med Int Méx. 2026; 42 (Supl 2): e11386.

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